DIÁRIO DE NOTÍCIAS, SÁBADO, 12 DE JUNHO DE 1999

ESPECIAL FEIRA DO LIVRO

BILHETE DE IDENTIDADE

Livros são tradição familiar

É o único alfarrabista presente na Feira do Livro do Porto, onde ocupa um espaço exíguo. O contacto com o mundo literário é uma constante na sua vida. Uma paixão herdada da avó

MIGUEL CARNEIRO

Idade: 28 anos

Profissão: livreiro

Pavilhão: ao lado do auditório

ANDREIA MARQUES

Nos expositores só livros usados. Alguns são antigos. outros nem por isso. Os mais recentes são os mais baratos. São também os mais, procurados. A atender os clientes está Miguel Carneiro. Passou a maior parte da sua vida entre livros. E não quer outra coisa  A Livraria Moreira da Costa (Filha) foi fundada em 1902. É a mais antiga casa alfarrabista portuense, sempre propriedade da mesma família. Miguel pertence à quinta geração. Diz que esta actividade lhe «está nos genes».  Foi com a avó, Maria Elisa Gonçalves Dias, que Miguel descobriu os livros. Era proprietária da livraria e com ela Miguel manteve uma estreita relação, desde os tempos em que, «ainda sem  saber ler, juntava os livros pelos símbolos dos editores». 

Quando se tem uma «livraria com a dimensão e o recheio da nossa não há alternativa», afirma Miguel. justificando a sua opção de não prosseguir os estudos. Bastam-lhe os livros, sobretudo os antigos: «Ë difícil explicar... Gosto da sensação da descoberta e do papel.» Além de que a «livraria é uma universidade, sem principio nem fim».

 

 

 

Na Feira do Livro do Porto a afluência de público é grande. Os autores portugueses são muito procurados. Isto agrada a Miguel, admirador da literatura portuguesa e que tem n'A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós o livro preferido. A partir de segunda-feira, Miguel regressará à livraria. Aí continuará a explorar os arquivos e a «descobrir tudo o que foi escrito e que as pessoas nem imaginam que o foi». Um desejo de quem «gosta de números», mas descobriu no negócio familiar a sua paixão.